domingo, 13 de maio de 2012

Minha mãe indicou

Como eu cresci ouvindo a minha mãe contar sobre algumas histórias vistas - ou melhor, vividas - por ela no cinema, resolvi publicar hoje (Dia das Mães!) esse post especial "Minha mãe indicou", com filmes que eu não só assisti por indicação dela (e amei!), mas também por serem filmes pelos quais ela sempre demonstrou uma grande admiração.

1. Romeu e Julieta (1968)


Inúmeras vezes minha mãe descreveu a sua sensação ao assistir à essa história de amor no cinema, ressaltando o quanto aquele amor imenso e impossível mexeu com ela na sua adolescência. Por mais que a gente conheça a história de Romeu e Julieta e o seu trágico final, a gente sempre se emociona. No caso desse filme, o casal jovem que interpreta os dois apaixonados e a música belíssima contribuem pra nos deixar mais envolvidos com esse clássico de Shakespeare. O filme foi dirigido por Franco Zefirelli e é de 1968. Eu adoro o romance, o drama, o final trágico, o figurino, as danças...

2. Hair (1979)


Hair é outro filme sobre o qual eu cresci ouvindo falar. As roupas, os hippies, as músicas e o impactante final. Aliás, devo dizer que a minha mãe é fã desses finais, digamos, grandiosos. Não fazia ideia de que, quando eu assistisse ao filme, também ficaria encantada com ele. É um dos melhores musicais! Esse filme conta a história de um jovem, chamado Claude Bukowski, do interior dos Estados Unidos, que resolve se alistar para a Guerra do Vietña. Ao chegar em Nova York, ele conhece um grupo de hippies que, logicamente, discordam das suas escolhas e se mostram muito mais interessados em aproximar Claude de Sheila, por quem ele demonstra interesse. Uma das minhas cenas favoritas é a da música "I got life", dançada em cima da mesa da festa na qual os hippies e Claude entraram de penetra, a fim de fazer o jovem se declarar para Sheila.

3. Duets (2000)


Minha mãe é apaixonada por esse filme! E eu também! Duets conta a história de seis pessoas cujas vidas acabam se cruzando por causa de um concurso de karaokê. A vida de cada um deles no filme se mostra tão real quanto tocante. Embora todas as histórias tenham algo a dizer, a história interpretada pelo Paul Giamatti (um dos meus atores favoritos) é a mais especial. Um cara bem sucedido que buscou dar todo o conforto à sua família. No entanto, ninguém na casa parece notar a sua presença ou mesmo a presença uns dos outros. Ele diz à sua mulher que vai comprar cigarros e simplesmente some numa viagem que acaba por colocar em sua vida um ex-presidiário e o karaokê. As músicas cantadas por esses dois são as mais bonitas do filme, embora Cruisin', cantada por Huey Lewis e Gwyneth Paltrow também seja lindíssima.

Os filmes da sua mãe merecem um TOP 3?

terça-feira, 1 de maio de 2012

Titanic é o começo de tudo

Ela é rica. Ele é pobre. Ela tem as passagens para viajar na primeira classe do navio anunciado como "inafundável". Ele consegue as passagens para a terceira classe em cima da hora, em uma aposta. Ela se sente sufocada pela vida da elite e pelo noivado com Caledon, com quem precisa se casar para salvar sua família que está falida e apenas conta com o bom nome. Por isso, decide se matar. Ele acredita que a vida é uma dádiva e quer aproveitá-la. Opostos, como em toda (boa) história de amor. E essa história de amor se passa a bordo do Titanic, o transatlântico que se chocou com um iceberg na noite de 14 de abril de 1912, fato que levou ao seu naufrágio. 


Sendo opostos, Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) possuem um delicioso ponto em comum nesse filme dirigido por James Cameron e que foi um grande vencedor do Oscar, gigantesco sucesso de 15 anos atrás. O ponto em comum está nas artes. Jack desenha mulheres que lhe chamam a atenção - uma prostituta sem uma perna mas com um grande senso de humor, uma senhora que usa todas as suas jóias e passa a noite num bar esperando pelo seu amor. Rose, nas primeiras cenas em que aparece, é vista colocando em seu quarto algumas obras de Picasso, contrariando o seu noivo que não vê naquelas obras nenhum tipo de valor. Rose acabará interessada nos desenhos de Jack e será desenhada por ele em um dos momentos mais bonitos de todo o filme, quando tudo o que ela veste é o colar chamado de "Coração do Oceano". Não por acaso, Rose dirá em outro momento que "o coração de uma mulher é um oceano de segredos".


O coração de Rose é um oceano de segredos e o vazio que ela sente em meio à primeira classe mexe com o espectador durante todo o filme. Ao mesmo tempo, a inocente alegria de Jack Dawson, misturada à um conhecimento das dificuldades da vida nos faz gostar muito do personagem. E o que Rose irá encontrar em Jack é justamente a vida. Sentir-se viva como a rotina em torno de sua mãe e de seu noivo jamais a teria feito se sentir. Quando Rose diz que Jack a salvou de todas as formas que uma mulher poderia ser salva, essa frase sintetiza toda a história de amor entre eles. Jack salvou a vida de Rose ao mesmo tempo em que ele lhe deu uma vida. E a vida que Jack dá a Rose é aquela que ela não tinha ao subir a bordo do Titanic. Um desastre em um navio com 2.200 pessoas, das quais apenas 700 conseguiram lugares nos botes. Mil e quinhentas enfrentariam o gelo do oceano. Em meio à isso, uma história de amor. Uma história de salvação.


Titanic é um filme sem igual. Temos a cena clássica e muito parodiada de Rose e Jack na proa do navio ou ainda a mão no vidro do carro embaçado. Tudo isso somado ao impacto das cenas da tragédia. Titanic, para mim, não é apenas um filme de grande sucesso, mas é uma obra que, indiretamente, iria determinar quem eu sou hoje. Se vocês não acham isso possível, pensem então que há 15 anos atrás minha irmã iria assistir esse filme e se encantar tanto com ele a ponto de voltar outras quatro vezes ao cinema para assistí-lo. Iria buscar todos os filmes do Leonardo DiCaprio. Ela estava então, sendo inserida no mundo do cinema. Daí, partiria para outros filmes, outros diretores, outras histórias, outros atores. E eu cresceria ouvindo sobre cinema, vendo os filmes que ela via, conhecendo um ou outro ator, gostando muito daquilo, sendo claramente influenciada, como toda irmã caçula que imita a mais velha. E eu acabaria, então, apaixonada por isso que chamamos de sétima arte. Titanic é uma tempestade de emoção e genialidade. E é em emoção e genialidade que eu penso quando digo amar cinema.


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mocinhas menos bobinhas

A história da Branca de Neve marcou a minha infância por ter sido o filme da Disney que eu mais assisti, embora hoje já não seja um dos meus favoritos. Adoro lembrar de algumas coisas como: o Zangado era o personagem que eu mais gostava (rolava uma identificação) e eu me escondia atrás da minha mãe na cena em que a bruxa se transformava na velhinha com a maçã, embora eu adorasse essa parte. Coisas da infância. Nostálgica como sou, gosto de relembrar as sensações que eu tinha em determinadas situações, especialmente em filmes.

Quando vi o cartaz de Espelho, Espelho Meu, após a empolgação por se tratar da história da Branca de Neve, a primeira coisa que notei foi a semelhança da atriz principal, Lily Collins, com a Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo, na foto do cartaz. Aliás, fiquei apaixonada pelas sobrancelhas grossas da atriz. Adoro sobrancelhas grossas e expressivas, lembro da Frida Kahlo <3 e todo o seu colorido e, automaticamente, vejo personalidade e originalidade.


A classificação indicativa do filme é livre e no cinema mais próximo da minha casa ele só estava sendo exibido dublado e foi assim que o assisti. Eu acho que quando comédias são dubladas as piadas perdem consideravelmente a sua graça e sentido original e acredito que isso tenha acontecido em alguns momentos desse filme, mas sei que não foi apenas pela dublagem que o filme pareceu bobo. "Você é a azeitona da minha empadinha" não tem a menor graça, assim como a poção dada ao príncipe que o faz agir como cachorro também não tem. Eu gosto de histórias infantis e acredito que, embora aparentemente destinadas às crianças, elas se aplicam perfeitamente à adultos (e distraem também), mas nesse caso por mais que eu tenha gostado da proposta, o filme não convenceu.

Em Espelho, Espelho Meu, a Rainha Má cobra cada vez mais impostos da população de seu reino para bancar luxos e festas. Com o reino indo à falência, ela encontra a solução para o seu problema num possível casamento com um príncipe de outro reino (interpretado por Armie Hammer, o ator que fez os gêmeos no filme A Rede Social e o Sr. Tolson em J. Edgar), mas o príncipe e a Branca de Neve estão começando a gostar um do outro, o que faz a Rainha decidir matar a menina. Escondida na floresta, Branca de Neve encontra os Sete Anões. E aí a história realmente muda de figura, porque a princesa não é representada como a coitadinha que precisa de um beijo de amor verdadeiro do príncipe valente, mas ela mesma sai em sua própria defesa.


Embora o filme seja relativamente ruim, acho interessante observar essa proposta cada vez mais frequente das princesas independentes. Acho que algo parecido será visto em Branca de Neve e o Caçador, filme com a Kristen Stewart que estreia em junho. Nesse filme, a Rainha manda o caçador ir atrás da desaparecida Branca de Neve e matá-la, mas quando o caçador a encontra ele decide ensiná-la a cuidar de si mesma. Eu sempre vou querer ir ao cinema assistir histórias que falem de princesas e lembrem a minha infância, não importando se elas dormem cem anos e são salvas com um beijo ou se elas pegam em espadas e lutam contra monstros - papel antes destinado aos príncipes. Acredito que a nova forma de retratar as princesas venha de uma necessidade de recontar essas histórias de forma que elas se tornem mais adequadas para as crianças de hoje. E isso não vem apenas do fato das mulheres possuírem mais independência do que possuíam quando, por exemplo, a Disney contava essas histórias ou mesmo quando esses contos foram escritos, mas também vem do fato de que as crianças estão cada vez mais independentes. Lógico que essa independência tem o seu lado negativo - na minha opinião, um grande lado negativo. Mas também mostra que essas crianças já não devem ter mais paciência para mocinhas tão bobinhas. Bom, ao menos espero que não.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A menos que.

O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida é uma animação elaborada pelos mesmos criadores do excelente Meu Malvado Favorito e baseada na história criada pelo Dr. Seuss. Embora o filme seja mais infantil do que as animações que eu costumo gostar, a mensagem me surpreendeu. 
 
Ted vive em uma cidade onde tudo é feito de plástico, os habitantes querem adquirir as coisas mais modernas possíveis e o consumo é tão absurdamente estimulado, que eles decidem vender ar puro. A cidade não possui nenhuma árvore além das de plástico, coloridas e modernas, sempre com um novo modelo sendo lançado. Quando a menina pela qual é apaixonado decide que gostaria de ganhar de presente uma árvore de verdade, Ted vai em busca da tal trúfula perdida. No filme, as trúfulas representam as árvores, porém são coloridas e tem aparência semelhante à algodão doce. 

Lorax nada satisfeito com a árvore derrubada :O

Nessa aventura, Ted acaba por conhecer o homem que, movido pela ganância, foi responsável pela destruição de todas as árvores, a partir das quais ele confeccionava um produto chamado "sneed" que tinha diversas utilidades. E o Lorax? Lorax é o guardião da floresta que vai tentar alertar sobre os riscos de tal atitude. É ele quem precisa despertar a preocupação com o futuro e mostrar que as ações no presente tem um efeito lá na frente.

O filme é um musical e com tantas cores e músicas creio que ele seja bastante atrativo para as crianças. O seu humor não se preocupa muito em conquistar os adultos e continua no diálogo com os mais novinhos. Chamando a atenção para a preocupação com o futuro e as consequências da ganância, o recado que o filme deixa é realmente o de que, a partir do momento em que nos importamos, podemos tornar as coisas melhores.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

"Jogos Vorazes", um vício surgindo

Só fui me interessar por Jogos Vorazes quando já estava pertíssimo da data de estreia do filme. Eu já havia escutado coisas sobre este ser o novo sucesso, trilhando os caminhos de Harry Potter (que marcou a minha vida <3) e Crepúsculo, mas ainda não tinha sequer pesquisado o assunto da história. Minha irmã veio falar que estava lendo os livros - trilogia da autora Suzanne Collins - e aconselhou que eu fizesse o mesmo. Acabei não lendo, mas fiquei curiosa para ir ao cinema assistir ao filme, coisa que normalmente não faço, dado que é muito mais gostoso ler o livro antes.


Eu classifico muito um filme pelo que eu sinto quando o assisto. Pode até ser que da segunda vez eu não veja mais tanta graça na história, mas eu nunca esqueço das sensações que tenho quando assisto a um filme pela primeira vez. Jogos Vozares é um desses filmes que provocam milhares de sentimentos em mim e faz com que eu mergulhe na história, que é tão fora da realidade quanto dentro dela.

A existência dos Distritos e sua relação com a Capital, a aparência e o comportamento das pessoas da Capital e a própria ideia dos Jogos Vorazes - onde 24 pessoas se veem dentro de uma arena em um determinado cenário escolhido e apenas uma delas sairá viva, pois elas lutarão até a morte entre si - tudo isso causa estranheza, desconforto e tensão. Por outro lado, parece relativamente real observar a personagem principal, que vive na pobreza e se vê diante do mais completo luxo e conforto dias antes de precisar entrar em um jogo para lutar pela sua sobrevivência. Real também é a manipulação desse jogo. 

A diferença entre as pessoas da Capital e do Distrito

A história do filme, dirigido por Gary Ross, é a seguinte: onde antes era a América do Norte, surge a nação de Panem, que possui doze distritos dos quais uma menina e um menino são selecionados como Tributos para participar dos Jogos Vozares e lutar pela própria vida. É um reality show que significa entretenimento para os moradores da Capital e também é, por parte dos mesmos, uma forma de manter submissos os povos dos Distritos.

Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) se oferece como Tributo do Distrito 12 no lugar de sua irmã que havia sido sorteada. Peeta Mellark (Josh Hutcherson), rapaz do mesmo Distrito que também é sorteado para ir aos jogos, é responsável por deixar no filme a dúvida sobre o seu caráter e protagonizar o que o reality show vê e especula como um possível amor entre dois jovens. Outros muitos personagens interessantes fazem parte dessa história, como o mentor dos jovens do Distrito 12, os Tributos que foram treinados desde cedo para participarem dos jogos e se orgulham disso e o figurinista interpretado pelo Lenny Kravitz.

Katniss e Peeta, os jovens do Distrito 12

Certamente vou ler os livros, pois fiquei viciada só pelo filme e com vontade de assistí-lo mais vezes. Nos livros, a história é contada do ponto de vista da personagem principal, o que será uma novidade para mim em relação ao filme. Além disso, descobrir a história dos outros dois livros da trilogia antes dos filmes será bem melhor.